POR TRÁS DO ESPETÁCULO (3)

Terceiro e último dia de trampo na F1 e chego ao epílogo desta odisséia convencido de que não irei mais aceitar esse convite, mesmo que seja para algo nobre e confortável como guiar carros de resgate com ar condicionado e aparelho de som MP3. Definitivamente, não vale a pena, mesmo para mim, um singelo apaixonado pelo espetáculo do automobilismo.
Claro, não poderia deixar de fazer pelo menos uma única vez já que queria ver como eram as coisas por trás dos panos desse grande show. E devo confessar que em alguns momentos valeu a pena por ter conseguido belas imagens e testemunhado algumas cenas interessantes como a cataprada do Nakagima e do Alonso. Isso sem falar em ouvir de perto o belo som dos motores de gente grande. Mas nada que não pudesse viver sem.

Amizades, isso sim. Fiz várias. A galera é de primeira linha. Turma divertida, sempre animada e pronta para ajudar toda hora. Não me refiro à cupula, aos senhores da FIA, ou até mesmo aos que me contrataram. Me refiro aos malucos que ficam nos postos conosco debaixo de sol e chuva e dos bombeiros. Essa galera é sensacional. A eles o meu agradecimento por ter passado 3 dias de intenso trampo ao meu lado.
Aqui cabe um parênteses para mandar um abração ao amigo Chris Pitta, que não foi trabalhar no domingo por ter ficado doente já que quando desabou o temporal do sábado, ele foi um dos que ficaram debaixo do aguaçeiro, sem muitas opções de proteção.
O dia de hoje foi o mais cansativo. Talvez pelo acúmulo de horas sem sono dos dias anteriores, talvez pela tensão do peso da responsabilidade, ou simplesmente pelo saco cheio. Foi tão cansativo que não me animei em ir dar uma sacaneada na moçada do setor G. Só passei na frente, de boa, tirei umas fotos e pronto.
A corrida teve seus momentos interessantes mas não conseguiu impedir que eu cochilasse. Pois é. Esperei 3 dias para essa uma hora e meia de F1, para depois de 40 minutos, cochilar.
No fim, ainda tive fôlego pra correr até onde o Nakagima bateu e acompanhei de perto o resgate de seu carro. O moleque é moleque de tudo. Poderia ser qualquer um desses pilotos que chegam pra correr na AMIKA. Incrível como esse mundo da F1 é tão diferente e ao mesmo temço tão parecido com o nosso.

Bom, foi isso. Rubens continua o pé frio de sempre em Interlagos. Infelizmente não foi dessa vez e provavelmente não será mais. Button é campeão, com méritos. Ótimo piloto, que fez uma bela corrida. Quanto a mim, de tanto ver essa turma acelerar, fiquei com vontade de voltar a descer a bota no templo sagrado. Quem sabe dentro de 15 dias quando o autódromo reabrir suas portas ao mortais.
Fórmula 1 agora, só pela TV ou, como diria meu amigo Irineu, assitindo do melhor lugar possível: de dentro do carro.


He he he…
Enquanto você cochilava embalado por pequenos motores V8 especialmente desenvolvidos para corridas (pequenos mesmo: 2.400cc apenas), o seu amigo Irineu quase enfartou vendo uma das melhores coberturas televisivas de provas de F1 que ele já teve a chance de assistir.
PQP!
Virei fan do Kobayashi! O japinha é matador! Lembra muito o Montoya e o Villeneuve Jr. em começo de carreira.
Gostei muitíssimo da tocada do J. Button também. O cara mereceu o champ. E, por mais incrível que possa parecer, lamento muito a má sorte do R. Barrichello e reconheço que ele também merecia o champ.
A realização de um sonho sempre vale a pena, mas quem foi que disse que não é cansativo? Valeu Mi!!!
belos relatos !!!
isso aí é pra ‘doido varrido’ ….hehehe
mesmo apaixonado eu não iria de voluntário!!!
OBS. transmissão de TV excelente ?
tive que ver o boneco do Button sendo secado …
não tem o que mais fazer e fazem merda !
Miguelito , obrigado pelo ” ” de minha ausência , realmente eu não tinha condições de ir a corrida , estava com quase 40 graus de febre por conta do diluvio que tomei na cabeça no sabado , mas faz parte , é um barato fazer o que fizemos ? é . mas vc me abriu os olhos para algumas coisas e realmente é de se parar para pensar , agora com filho e o kct … a minha sensação de frustração foi enorme , participei de 4 treinamentos , 1 simulado , 1 treeino livre , 1 classificação e no dia da corrida , tome febre , pra mim foi terrivel , pareceia que meu posto estava abandonado e eu não podia fazer nada , os caras la confiam demais em mim , mas eu era o unico no posto que tem experiencia em F1 , eles não pararam de me ligar durante a corrida e cheguei até a ficar emocionado com algumas palavras de uns , isso se chama amizade , coisa que nenhuma chuva ou frio vai acabar e vc véio é um que eu nunca vou esquecer na minha vida , faz tempo que vc saiu da minha galeria de amigos para entrar na minha galeria de irmãos , obrigado por tudo . Chris.
Pois é Chris, tem coisa que por mais que seja apaixonante, definitivamente não vale a pena, ainda mais quando envolve a nossa saúde. Caras com sua experiência e responsabilidade deveriam ser pagos, e muito bem pagos, para trabalhar na F1.
Obrigado pelas palavras, vc também é mano véio, e agora chega de viadagem.
Muito legal esse por trás dos bastidores que você proporcionou aqui no seu blog, Miguel. É interessante ver o que ninguém vê, e nem faz questão de saber pela TV, e qualquer outro veículo de comunicação. Vendo pelo seu ângulo de vista, imagino também que talvez não seria voluntário de um evento de F1, msm sendo essa F1 o topo da linha do automobilismo, mas que no fundo continua tendo a mesma essência que corridas de kart, gol, fusca, clio… enfim. E que, olhando o ambiente amigável, tranquilo, com certeza vale mais a pena do que um lugar cheio de arrogância, que, por mais incrível que seja tecnologicamente, não vale tanto assim o sacrifício que se paga.
Parabéns por ter sido um dos que participaram desse evento, garantindo a segurança das “estrelas”, e volte a falar mais com essa sua visão diferente dos outros 520.000 sites de automobilismo que tem por aí.
Abraços.
Valeu Thiago